Bem, eu era moça, tinha mais ou menos 17 anos, de família rica, era tratada como princesa, muito dengada e paparicada por todos.
Certo dia soube que haveria um baile na corte, pedi ao meu pai que me deixasse ir, ele deixou, mas desde que eu fosse acompanhada por sinhá Catarine.
Era noitinha e ainda estávamos nos aprontando.
-Aperte mais o meu espartilho! - disse eu apertando minha cintura e quadris.
-Já apertei o máximo que pude. -resmungou sinhá Catarine.
-Vamos logo, pois o coche esta para chegar!
Enfim o coche chegou, já estávamos prontas e estávamos descendo a escadaria em direção a porta quando uma mucama disse:
-Sinhazinha espere! Vosmicê esta esquecendo suas luvas.
Agradeci e apressadamente peguei as luvas de sua mão e saímos.
Não demorou muito nos chegamos à Corte.
Era lindo! O casarão todo iluminado, com um belo jardim.
Eu e sinhá Catarine nos sentamos em um lugar pouco movimentado, quando de repente avistei chegando um sinhozinho de boa aparência. Ficamos nos entreolahndo um tempo, senti que meu coração bateu forte.
Ele veio até mim e me tirou para dançar. Dançamos embalados pelo som do piano, enquando dançávamos conversamos sobre tantas coisas que nem me lembro direito.
Até que cansamos e paramos de dançar.
Minutos mais tarde recebi um bilhete que dizia:
“Para minha querida:
Entre duas rochas pode
nascer uma flor,
e entre duas pessoas
nasceu aqui um gande amor.
Te Amo!
Assinado: Francisco”
Em meu coração não cabia tanta felicidade,pensei que fosse explodir de emoção e correspondi com um outro bilhete que dizia que eu o amava também e o meu endereço para que mandasse cartas. Fomos embora.
Uma semana depois se passou e eu não conseguia tirá-lo da cabeça. Ele era lindo, bem vestido, tinha um cavanhaque bem feito e usava chapéu.
Chegou finalmente uma carta dele e sinhá Catarine trouxe escondido do meu pai.
Por meio de cartas combinamos de nos encontrar, combinamos hora e local.
Nos encontramos em um sarau que teve em nossa cidade.
Dançamos juntos para que pudéssemos conversar, e ele ao descobrir que eu amava poemas ele citou alguns que conhecia alguns que conhecia, um mais lindo que o outro.
Infelizmente tive que ir embora cedo acompanhando sinhá Catarine, mas antes de eu ir ele me deu um papel onde estava escrito um pequeno texto que falava do amor e me disse que no dia seguinte iria pedir minha mão em namoro para o meu pai.
O dia se passou e quando já era quase noitinha ele chegou, meu pai o recebeu bem, apesar da pouca arrogância.
O rapaz falou o motivo que o levara até ali, mas meu pai se refreou em conceder minha mão.
Chorei todas as lágrimas que tinha.
Agora só nos restava nos comunicar por cartas, bilhetes..., pois fui proibida de vê-lo, mas mesmo assim meu amor por ele aumentava cada vez mais...
Nos comunicavamos por meio de versos, poemas e até mesmo textos, os fazendo de uma forma que para quem lesse fazia sentido nenhum, mas para nós fazia todo sentido do mundo, pois escreviamos em códigos que só nós podiamos decifrar.
Meu pai se certificou de que ele era um bom rapaz e autorizou nosso namoro, pois já não aguentava mais ver minha armagura.
Namoramos um tempo, até que nos casamos.
Certo dia Francisco recebeu uma carta na qual ele era obrigado a servir em uma jornada que o exército brasileiro faria. E dessa jornada que eu espero ele voltar e entrar por aquela porta a quarenta anos...
(Amélia, 04/07/1893)
(Texto escrito para redação escolar - Tema: Século 19)
Nenhum comentário:
Postar um comentário